Um pouco de Psicodrama

O psicodrama é uma das abordagens da psicologia. Para o psicodrama, o sujeito está nas relações através da sua espontaneidade. Quanto mais saudável for a relação que estabelece com o seu ambiente, mais espontâneo deverá ser a sua atuação. Essa espontaneidade seria “a capacidade de agir de modo ‘adequado’ diante de situações novas, criando uma resposta inédita ou renovadora, ou ainda, transformadora de situações pré-estabelecidas”. (GONÇALVES, 1988, p.47).

A espontaneidade é que assumirá a função de uma mola propulsora, permitindo a criatividade do sujeito. No entanto, espontaneidade e criatividade são mutuamente necessárias para permitir o sucesso diante das situações pelas quais o sujeito passa ao longo de sua vida.

Quando surge a doença: A doença estaria presente pela ausência da manifestação da espontaneidade e isso implicaria num sujeito alienado, sem forças transformadoras, apenas sobrevivendo à sociedade, imerso nas suas conservas culturais. Conservas culturais “são objetos materiais, comportamentos, usos e costumes, que se mantêm idênticos, em uma dada cultura”. (GONÇALVES, 1988, p.48). Podem ser consideradas também as crenças de uma cultura e de uma pessoa que fica cristalizada no seu momento de vida.

A pessoa e o psicodrama: Somos seres que se formam e transformam-se numa inter-relação com o social e no jogo de papéis que são vivenciados, incorporados, fundidos e acionados pelos sujeitos a todo momento, desde o nascimento e em cada circunstância da vida. Na sua definição, papel é a menor unidade observável de conduta: é a forma de funcionamento que o indivíduo assume no momento específico em que reage a uma situação específica que outras pessoas ou objetos estão envolvidos. Segundo FONSECA, (1940) “Uma delibitação nesta fase do desenvolvimento poderá significar eventuais retrocessos do futuro adulto à confusão entre fantasia e realidade” (p, 20).

O desenvolvimento da criança: Na infância, a criança já está em fases de diferenciação desse meio e adquirindo características, interpretações próprias que o jogo dos papéis que se apresenta e se torna cena principal para o sujeito em aprendizagem estar se diferenciando e construindo o seu universo a partir do universo em que está imerso. O processo de desenvolvimento do sujeito, primeiramente é de reprodução ao que lhe é apresentado.

Testando-se nesses papéis e nos encontros e desencontros de papéis, vai aprendendo a desempenha-los. Esta desenvoltura do sujeito se permitir estar desempenhando vários papéis adequadamente para as diversas situações que se apresentam no decorrer da vida é consequência de espontaneidade e criatividade frente às situações vividas. Entretanto, para desempenhar tais funções os papéis: psicossomáticos (relacionados às funções fisiológicas) e psicodramáticos (vida psíquica) estejam em equilíbrio no sujeito. O sujeito deve ser capaz de transitar entre realidade e fantasia saudavelmente.

Como a psicoterapia acontece: O processo psicoterapêutico acontece no momento atual, ou seja a terapia se estabelece com conteúdos presentes, mesmo que a queixa refira-se a questões passadas e futuras, o momento da terapia é tornar então presente o que pertence ao passado e ao futuro. “A vivência do momento atual é um convite a uma comunicação humana transformadora; é a tentativa de ‘desintelectualizar’ o ser humano para um contato mais verdadeiro, mais emocional, mais pessoal – o encontro”. (FONSECA, 1940, p.7). O encontro estaria na comunicação plena entre terapeuta e paciente e vice-versa, na fluidez do diálogo. Isto implicaria em “limpar” toda e qualquer interferência a fim de diminuir a transferência ou até extingui-la da relação.

Contudo, o processo psicoterapêutico proporciona para o paciente um espaço para agir e se perceber agindo nas relações. Seus conflitos, suas defesas, sua história, tudo está presente ou se faz presente a fim de obter a compreensão do seu processo vital e suas possibilidades de inferência sobre si e sobre sua rede de relações.

Resultado da psicoterapia: O indivíduo faz sua espontaneidade fluir, permite-se explorar o mundo com a sua originalidade. Esta desenvoltura do sujeito se permitir estar desempenhando vários papéis adequadamente para as diversas situações que se apresentam no decorrer da sua vida é conseqüência de espontaneidade e criatividade frente às situações vividas.

Precisa então ser capaz de romper com as conservas culturais que o aprisionam e o restringem a normas, regras, numa reprodução de ideias dando espaço para a expressão das suas próprias idéias e estar/agir/perceber/interagir no mundo de forma mais saudável. De forma mais feliz!

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Referencias bibliográficas:

FONSECA, J. S. F. Psicodrama da Loucura: correlações entre Buber e Moreno. São Paulo: Agora, 1980.

GONÇALVES, C. S., WOLFF, J. R. e ALMEIDA, W. C. Lições de Psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. Moreno. São Paulo: Agora, 1988.

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Sabrina Maria Schlindwein

Sou Psicóloga há 20 anos e atuo na Clínica de Psicologia com a abordagem Psicodrama há 15 anos. Considero que o objetivo da psicoterapia é promover um melhor entendimento de si e dos outros, reduzindo as angústias, medos e inseguranças que em algum momento da vida aparecem.

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